
Aleluia! Minhas preces foram ouvidas, chega de calor. O outono chegou nesta segunda-feira trazendo frescor , friozinho e chuva ao meu amado Rio de Janeiro. Mas está bom, não é? Vamos dar uma equilibrada nesse clima, pois os 50° estavam torrando os cariocas.
Aqui no RS o lindo,maravilhoso outono que amo tanto estava chegando também...
ResponderExcluirMAs veio uma nova onda desse maldito calor para estragar tudo!!!!
olha que linda essa poesia da Elisa Lucinda sobre o outono
ResponderExcluirEle
Já começa a beijar o meu pescoço
com sua boca meio gelada meio doce,
já começa a abrir-me seus braços
como se meu namorado fosse,
já começa a beijar a minha mão,
a morder-me devagar os dedos,
já começa a afugentar-me os medos
e dar cetim de pijama aos meus segredos.
Todo ano é assim:
vem ele com seus cajás, suas oferendas, suas quaresmeiras,
vem ele disposto a quebrar meus galhos
e a varrer minhas folhas secas.
Já começa a soprar minha nuca
com sua temperatura de macho,
já começa a acender meu facho
e dar frescor às minhas clareiras.
Já vem ele chegando com sua luz sem fronteiras,
seu discurso sedutor de renovação,
suas palavras coloridas,
e eu estou na sua mão.
Todo ano é assim:
mancomunado com o vento, seu moleque de recados,
esse meu amante sedento alvoroça-me os cabelos,
levanta-me a saia, beija meus pés,
lábios frios e língua quente,
calça minhas meias delicadamente
e muda a seu gosto a moda de minhas gavetas!
É ele agora o dono de meus cadernos, meu verso, minha tela,
meu jogo e minhas varetas.
Parece Deus, posto que está no céu, na terra,
nas inúmeras paisagens,
na nitidez dos dias, no arcabouço da poesia,
dentro e fora dos meus vestidos,
na minha cama, nos meus sentidos.
Todo ano é assim:
já começa a me amar esse atrevido,
meu charmoso cavalheiro, o belo Outono,
meu preferido.
Bem, há um enorme controle e “rigor”, se quisermos, na maneira com que Elisa Lucinda deixa a metáfora meio escondida, meio sugerida, ao longo do poema, para revelá-la só no final.
Há um certo “passadismo”, também, nesse romantismo das estações, que me lembra um poeminha francês sobre o mês de Abril, que volta feliz “comme un prince acclamé après un long exil”. Ao mesmo tempo, que poder de transformação em dizer desse amante “que varre minhas folhas secas, que vem quebrar meus galhos”...
Por vezes, a inspiração fraqueja: “inúmeras paisagens”, “discurso sedutor de renovação”, são frases de uma triste vagueza comparadas à precisa e feliz lembrança do “muda a seu gosto a moda das minhas gavetas”.
Anta!!!!!!!!!!!
ResponderExcluirEu sou muito anta!
A graça é ler a poesia sem dizer que é sobre o outono.
A autora nos leva a pensar sempre em um homem,com existência física, e só no final descobrimos que o homem é o Outono!!!!!
Fiz que nem os portugueses que quando passaram Psicose colocaram o título de o Homem que MAtou a Mãe!!!!!!!!!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
A-DO-REI esse poema. Eu, que sempre amei o outono, me sinto mais apaixonada ainda após ler esta obra. Nunca pensei nas estações do ano como gênero, feminino e masculino, mas agora penso que o outono só pode ser masculino, rs.
ResponderExcluirRenata
ResponderExcluirNA hora de colar o poema saiu a opinião do crítico chato.
Também acho lindo.